quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Vale e Petrobras e o futuro de fertilizantes no país

Por Paulo Cezar
Vale e Petrobras negociam ativos no PR Autor(es): agência o globo:Danielle Nogueira O Globo - 31/08/2011  
A Vale Fertilizantes, subsidiária da Vale para o setor, informou ontem que está negociando com a Petrobras uma operação que envolve ativos no Complexo Industrial de Araucária (PR). A empresa não deu detalhes sobre as conversas, mas especula-se que a unidade paranaense seja uma espécie de moeda de troca na dura negociação entre as duas empresas para prorrogação do contrato do arrendamento à Vale da mina de potássio em Sergipe que pertence à estatal.
"A Vale Fertilizantes informa a seus acionistas e ao mercado que vem mantendo tratativas preliminares e não vinculantes com a Petrobras com relação a uma potencial operação envolvendo seus ativos nitrogenados no Complexo Industrial de Araucária. Até esta data, não há qualquer espécie de entendimento definitivo entre as partes, não tendo sido celebrado qualquer instrumento vinculativo que determine os termos e condições relativos à potencial operação", limitou-se a dizer a empresa.
Em Araucária, a Vale Fertilizantes desenvolve o projeto Arla, que prevê a adequação da unidade para produção de ureia para os setores químico, de fertilizante e automotivo. Segundo dados que constam do site da empresa, foram feitos investimentos de R$6,7 milhões no local com esse intuito no primeiro trimestre deste ano.
A ideia do Arla, sigla para Agente Redutor Líquido Automotivo, é que este produto - à base de nitrogênio - seja misturado ao diesel, reduzindo emissões de poluentes. Como, a partir de 2012, o Brasil adotará novos padrões de emissões de partículas de veículos, seguindo tendência internacional, o Arla é visto como uma alternativa promissora. O objetivo é que a produção em Araucária atenda 60% da demanda nacional pelo produto.
Como a Petrobras produz e distribui combustíveis e já tem unidades de produção de ureia, o complexo de Araucária seria interessante para a empresa adquirir ou assumir a atividade da unidade do Paraná. Essa seria a carta na manga da Vale para convencer a estatal a estender o prazo de arrendamento da mina de potássio em Sergipe Taquari-Vassouras, que termina em 2017. A Vale propôs explorar a mina por mais 35 a 40 anos, mas Petrobras ofereceu renovar o contrato por 25 anos.
Em julho, Dilma cobrou acordo entre as empresas
A divergência entre as duas gigantes levou a presidente Dilma Rousseff a convocar uma reunião em Brasília, em julho passado, entre os presidentes da Vale, Murilo Ferreira, e da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Os dois saíram da reunião com o compromisso de chegarem a um acordo em 40 dias. O prazo terminou ontem.
Taquari-Vassouras é a única mina produtora de potássio do Brasil. Ela pertencia à Petromisa, subsidiária da Petrobras que foi extinta no início dos ano, durante o governo Collor. O interesse da Vale pela mina cresceu nos últimos anos, quando a empresa passou a investir mais pesadamente em fertilizantes, visando à demanda global por alimentos. Apesar da força da agricultura no Brasil, o país é importador de matérias-primas usadas na indústria de fertilizantes, entre elas o potássio.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Saiu na Folha online:

Brasil e China devem resistir à crise devido à demanda interna, diz Nobel


CAROLINA MATOS

DE LINDAU (ALEMANHA)


O Brasil e a China devem continuar crescendo, apoiados nas demandas internas, mesmo no cenário de crise econômica na Europa e nos EUA, importantes mercados consumidores dos produtos exportados pelos dois BRICs.


A avaliação foi feita por Joseph Stiglitz em entrevista a jornalistas nesta tarde durante o “4º Lindau Meeting on Economic Sciences”, em Lindau, na Alemanha, que reuniu economistas premiados com o Nobel.


Stiglitz, ganhador do Nobel em 2001 e que foi vice-presidente do Banco Mundial de 1997 a 2000, disse que Brasil e China “têm um grande mercado interno que deve continuar dando suporte å economia”.


O economista citou várias vezes o Brasil como “exemplo de sucesso” na estabilização econômica.


“O país não apenas controlou a inflação, mas também está reestruturando toda a economia, o que é fundamental para um crescimento sustentável”, afirmou, ao criticar, referindo-se aos EUA e à Europa, “políticas econômicas que têm foco apenas na inflação e se esquecem da estabilidade financeira.” “Agora as autoridades [que agiram dessa forma] percebem que foi um erro”, completou.


Stiglitz destacou ainda que “o maior problema para um governo não é o tamanho do deficit, mas a forma como o dinheiro é gasto.”


CRISE


Durante as apresentações no seminário, o economista defendeu que os modelos macroeconômicos adotados “fracassaram” por não terem previsto a crise financeira de 2008 que “as autoridades monetárias permitiram o crescimento de bolhas concentrando as atenções apenas na inflação, em parte porque os modelos sugeriam que manter a inflação baixa era quase suficiente para eficiência econômica e crescimento.”


“O incrível é que ainda existam defensores dessas teorias macroeconômicas, embora o mundo hoje seja outro”.

Em tempo: os números do emprego divulgados nesta quinta-feira revelam que, apesar dos urubólogos, o emprego em julho é o mais alto desde quando o IBGE começou a medi-lo, dessa forma, em 2002. E melhor: a grana no bolso do trabalhador engordou:

Rendimento

O rendimento médio real habitual dos ocupados ficou em R$ 1.612,90, o valor mais alto para o mês de julho desde 2002, e apresentou alta de 2,2% na comparação mensal e de 4% frente a julho do ano passado.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dilma e a nova política fiscal


Do Valor
Esperando Dilma
Por Cristiano Romero


Se cumprir o que está prometendo na área fiscal, a equipe econômica do governo Dilma Rousseff fará história. Falta, ainda, o aval da presidente, mas o plano é gerar anualmente, até 2014, superávits primários nas contas públicas de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que esse esforço seja suficiente para zerar o déficit público, no mais tardar, em 2015. O principal objetivo do Ministério da Fazenda é criar condições para o Banco Central (BC) reduzir drasticamente a taxa de juros (Selic), hoje em 12,5% ao ano.
O contexto da nova política fiscal deriva da percepção de que o recrudescimento da crise nos Estados Unidos e na Europa provocará desaceleração mundial e, por consequência, inflação menor no mundo.
A avaliação é que, com juros próximos de zero e por causa dos problemas fiscais, as nações ricas não têm margem para produzir crescimento e ficarão nessa situação durante um bom tempo. 
Nesse ambiente, o Brasil também cresceria menos nesse período, muito provavelmente abaixo do potencial (hoje, estimado em 4% ao ano), mas aproveitaria o momento para resolver problemas que, 17 anos depois de iniciado o processo de estabilização, não foram solucionados, como a convivência com a maior taxa de juros do planeta. Se a estratégia der certo, o país chegará a 2014, de acordo com projeção da área econômica, com juros civilizados e situação fiscal incomparavelmente melhor que a da maioria dos países.
Antes do recente agravamento da crise mundial, o plano de voo do governo brasileiro era outro. Premido pela aceleração inflacionária, aumentou o superávit primário em 2011, cumprindo até agora, sem descontos, a meta cheia, de cerca de 3% do PIB. Para 2012, no entanto, a ideia era preservar do esforço fiscal investimentos previstos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como deixou claro, em entrevista ao Valor na semana passada, um importante auxiliar da presidente Dilma.
Segundo esse ministro, o governo está satisfeito com os resultados da política de combate à inflação, mas reconhece que "(...) a Esplanada [dos Ministérios], hoje, está no chão". O colaborador da presidente confidenciou, na prática, a fadiga política provocada pelo controle das contas públicas este ano e contou que, em 2012, será diferente.
Em entrevista a Claudia Safatle, do Valor, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que não haverá relaxamento fiscal em 2012 e que o governo mudou, "de forma permanente", o mix de política econômica. Ao desmentir um colega de ministério, declarou que, ao contrário do que ocorreu em 2008, a resposta à crise será mais monetária, via redução dos juros, do que fiscal (aumento dos gastos).
O esclarecimento de Mantega tranquilizou sua equipe, que vem trabalhando para botar em pé um ambicioso plano fiscal traçado para os próximos anos. A tarefa não é fácil, afinal já há um significativo aumento de despesa contratado para o próximo ano - o reajuste do salário mínimo (SM) em 14%.
Cerca de 60% dos benefícios sociais e a maior parte do seguro-desemprego estão atrelados ao SM. Mais importante: algo como 45% do gasto corrente da União acompanha a variação do mínimo. Por essa razão, a área econômica prepara medidas para compensar, do ponto de vista fiscal, o aumento de despesa previsto. Em termos nominais, o impacto do reajuste do salário mínimo será de R$ 23,3 bilhões, mas técnicos calculam que, termos reais (e líquidos), o montante a ser compensado é de R$ 10 bilhões.
Desde o início da nova fase da crise mundial, o ministro da Fazenda tem dito que o governo não abrirá a guarda fiscal. Na semana passada, também o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou, em teleconferência com jornalistas estrangeiros, que "(...) a política fiscal apertada que temos praticado neste ano deve ser mantida para continuar diferenciando o Brasil no futuro próximo".
Mantega e Tombini são as autoridades máximas da equipe econômica. Certamente, não defenderiam a manutenção do esforço fiscal sem a bênção do Palácio do Planalto. Mas está claro, também, que falta a presidente Dilma vir a público reiterar a decisão anunciada por seus auxiliares. Seu silêncio gera dúvidas.
Em Brasília, sabe-se que a tal insatisfação da base parlamentar e mesmo de alguns ministros com o governo se deve ao ajuste fiscal em curso. O descontentamento dos funcionários públicos, que reclamam de reajuste salarial, também é crescente. O que a equipe econômica está dizendo é que o arrocho será mantido até o fim do mandato da presidente.
Há desconfianças entre os analistas quanto aos propósitos de Dilma. Há menos de duas semanas, o Valor revelou que ela teria recomendado cautela a um possível movimento de redução dos juros pelo Banco Central. O alerta foi entendido por observadores, como Mansueto Almeida, do Ipea, como um sinal de que a presidente não tem interesse em manter o esforço fiscal de 2011 nos anos seguintes por reconhecer que a agenda social, cujo principal componente é a política de correção do salário mínimo, e de investimentos do governo é incompatível com a redução permanente da taxa de juros.


Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras


Fonte : blog Luiz Nassif / Valor

 

A disputa pelo petróleo já começou


Ações de empresas petrolíferas europeias sobrem com a possibilidade do fim dos conflitos na Líbia. Novo governo deve priorizar países que apoiaram bombardeios da Otan. Foto: Divulgação Eni
A tomada de Trípoli mostra que a queda de Muammar Kaddafi tornou-se algo inevitável. O fim do conflito de seis meses é esperado com ansiedade pelo mercado de petróleo nos Estados Unidos e, principalmente, na Europa. O preço do petróleo cru caiu dois dólares diante da expectativa de uma conclusão rápida da guerra civil e a consequente retomada da produção. Uma Líbia pacificada também refletiria, indiretamente, na queda do preço da gasolina na costa Leste dos Estados Unidos, diz Clifford Krauss, em artigo no The New York Times.
Apesar de representar apenas 2% do consumo global do combustível fóssil, a Líbia é uma produtora de petróleo longe de ser desprezada. Antes do início das revoltas, o país produzia cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia e suas reservas estimadas são suficientes para manter o mesmo ritmo pelos próximos 80 anos. Para as empresas petrolíferas norte-americanas, diante da necessidade de diversificar seus fornecedores de combustível cru, a Líbia pós Kaddafi se apresenta como uma promissora alternativa. Nos meses anteriores ao início da luta, os EUA importavam 1% de petróleo do país árabe.
Em relação aos países europeus, o peso do maior produtor petrolífero da África é consideravelmente superior. A Itália trazia 20% do seu petróleo da Líbia e países como a França, Suíça, Irlanda e Áustria, 15%. Krauss lembra que a importância da nação norte-africana para a França revela-se no convite feito na segunda-feira (22) pelo presidente Nicolas Sarkozy para que o chefe do Conselho de Transição Líbio, Mustafa Abdel-Jalil, fosse à França para consultas. Coincidência ou não, dois destes países estiveram na ponta de lança no apoio da Otan aos rebeldes para depor o ditador. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, também se reunirá com a liderança do Conselho Nacional de Transição.

Fonte : http://www.cartacapital.com.br/
Saiu na Folha:

Consórcio Inframerica vence leilão de aeroporto no RN


MARIANA BARBOSA

DE SÃO PAULO


O leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal (RN), terminou na manhã desta segunda-feira depois de 87 lances. O vencedor foi o consórcio Inframerica, encabeçado pela Engevix, do Brasil, e a Corporacion América, da Argentina.
O lance foi de R$ 170 milhões, ágio de 228,82%. O mínimo era de R$ 51,7 milhões.Inicialmente, o leilão estava marcado para o dia 19, mas foi adiado.
O modelo jurídico dessa concessão deverá ser usado para a cessão a investidores de outras unidades já anunciadas pelo governo, entre as quais Guarulhos e Viracopos (SP), Galeão (RJ), Confins (MG) e Brasília (DF).
Mas cada aeroporto terá de ter seu próprio estudo de viabilidade.
O novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante vai substituir o atual aeroporto de Natal, que voltará a ser uma base aérea.
A Infraero e o Exército estão fazendo desde 2008 as obras da pista e do pátio (80% estão realizados e com previsão de término em novembro de 2011), ao custo de R$ 250 milhões.
O valor mínimo da outorga pagaria apenas 20% do investimento público já feito.
O vencedor da concessão construirá o terminal de passageiros e vai administrá-lo inteiramente por 25 anos após a obra, prevista para três anos.