quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A disputa pelo petróleo já começou


Ações de empresas petrolíferas europeias sobrem com a possibilidade do fim dos conflitos na Líbia. Novo governo deve priorizar países que apoiaram bombardeios da Otan. Foto: Divulgação Eni
A tomada de Trípoli mostra que a queda de Muammar Kaddafi tornou-se algo inevitável. O fim do conflito de seis meses é esperado com ansiedade pelo mercado de petróleo nos Estados Unidos e, principalmente, na Europa. O preço do petróleo cru caiu dois dólares diante da expectativa de uma conclusão rápida da guerra civil e a consequente retomada da produção. Uma Líbia pacificada também refletiria, indiretamente, na queda do preço da gasolina na costa Leste dos Estados Unidos, diz Clifford Krauss, em artigo no The New York Times.
Apesar de representar apenas 2% do consumo global do combustível fóssil, a Líbia é uma produtora de petróleo longe de ser desprezada. Antes do início das revoltas, o país produzia cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia e suas reservas estimadas são suficientes para manter o mesmo ritmo pelos próximos 80 anos. Para as empresas petrolíferas norte-americanas, diante da necessidade de diversificar seus fornecedores de combustível cru, a Líbia pós Kaddafi se apresenta como uma promissora alternativa. Nos meses anteriores ao início da luta, os EUA importavam 1% de petróleo do país árabe.
Em relação aos países europeus, o peso do maior produtor petrolífero da África é consideravelmente superior. A Itália trazia 20% do seu petróleo da Líbia e países como a França, Suíça, Irlanda e Áustria, 15%. Krauss lembra que a importância da nação norte-africana para a França revela-se no convite feito na segunda-feira (22) pelo presidente Nicolas Sarkozy para que o chefe do Conselho de Transição Líbio, Mustafa Abdel-Jalil, fosse à França para consultas. Coincidência ou não, dois destes países estiveram na ponta de lança no apoio da Otan aos rebeldes para depor o ditador. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, também se reunirá com a liderança do Conselho Nacional de Transição.

Fonte : http://www.cartacapital.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário